September 17, 2026
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Saúde mental masculina ainda é desafio para muitos homens, alerta psicólogo

  • julho 20, 2026
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O Dia do Homem, celebrado em 15 de julho, é uma oportunidade para discutir um tema que ainda enfrenta resistência entre grande parte da população masculina: a saúde

Saúde mental masculina ainda é desafio para muitos homens, alerta psicólogo

O Dia do Homem, celebrado em 15 de julho, é uma oportunidade para discutir um tema que ainda enfrenta resistência entre grande parte da população masculina: a saúde mental. Apesar dos avanços nas discussões sobre bem-estar emocional e qualidade de vida, muitos homens continuam encontrando dificuldades para reconhecer seus sofrimentos, expressar sentimentos e buscar ajuda profissional.

Para o psicólogo clínico Erick Leal, essa realidade é resultado de uma construção cultural que, durante décadas, associou masculinidade à ideia de força, resistência e ausência de vulnerabilidade.

“Por muitos anos, o homem aprendeu que precisava ser forte o tempo todo. Essa visão ainda repercute na vida adulta e faz com que muitos tenham dificuldade de falar sobre seus sentimentos ou procurar ajuda por medo de serem julgados”, explica.

Segundo o especialista, embora o cenário esteja mudando gradualmente, ainda existe um tabu significativo em torno da saúde mental masculina. Muitas vezes, o próprio homem acredita que buscar tratamento psicológico é um sinal de fragilidade, quando, na verdade, representa um ato de responsabilidade consigo mesmo.

“Procurar ajuda é justamente uma demonstração de força. É reconhecer que existe um problema e buscar soluções para enfrentá-lo. Enquanto a pessoa não estiver bem emocionalmente, outras áreas da vida também acabam sendo afetadas”, destaca.

Impactos da pandemia

De acordo com Erick Leal, a pandemia da Covid-19 contribuiu para ampliar a discussão sobre saúde mental e fez com que muitas pessoas passassem a olhar com mais atenção para o próprio bem-estar emocional.

“O período da pandemia obrigou muita gente a buscar cuidados médicos e refletir sobre a própria saúde. Isso ajudou a abrir um pouco mais o diálogo sobre questões emocionais e psicológicas, inclusive entre os homens”, afirma.

Embora parte dessa conscientização tenha permanecido após o período mais crítico da pandemia, o psicólogo observa que muitos ainda retornaram a antigos comportamentos, deixando o autocuidado em segundo plano.

Quando procurar ajuda?

Um dos principais desafios, segundo o especialista, é que muitos homens só procuram atendimento psicológico quando o sofrimento já atingiu níveis elevados.

“Quando sentimos uma dor física, procuramos um médico. Mas, quando o problema é emocional, muitas pessoas acreditam que vão conseguir resolver sozinhas ou simplesmente ignoram os sinais. Quando finalmente buscam ajuda, muitas vezes já estão no limite”, alerta.

Erick Leal ressalta que essa resistência pode ter consequências graves. Dados nacionais mostram que os homens representam a maior parte das mortes por suicídio no Brasil, cenário frequentemente associado à demora em procurar apoio profissional e à dificuldade em falar sobre sofrimento emocional.

Sinais de alerta

O psicólogo orienta que tanto os homens quanto as pessoas próximas estejam atentos a mudanças de comportamento que podem indicar a necessidade de ajuda especializada.

Entre os principais sinais estão:

  • Isolamento social;
  • Perda de interesse por atividades que antes eram prazerosas;
  • Irritabilidade excessiva;
  • Queda no rendimento profissional;
  • Alterações no sono e no apetite;
  • Aumento do consumo de álcool ou outras substâncias;
  • Desânimo frequente e falta de motivação.

“Quando alguém deixa de frequentar a academia, para de sair com amigos ou perde o interesse por atividades que sempre gostou, isso pode ser um sinal importante de que algo não está bem e merece atenção”, explica.

O papel da família e dos amigos

Além da percepção individual, familiares e amigos podem desempenhar um papel fundamental na identificação de sinais de sofrimento emocional.

“Quando uma pessoa que era comunicativa passa a se isolar, fica mais irritada ou começa a mudar seus hábitos de forma significativa, é importante se aproximar, conversar e oferecer apoio sem julgamentos”, orienta.

Segundo Erick Leal, muitas vezes uma conversa acolhedora pode ser o primeiro passo para que alguém aceite procurar ajuda profissional.

Quebrando tabus

Para o psicólogo, ainda é necessário romper preconceitos relacionados ao cuidado com a saúde mental masculina. Ele reforça que pedir ajuda não diminui ninguém e que o acompanhamento psicológico pode contribuir para melhorar relacionamentos, desempenho profissional, autoestima e qualidade de vida.

“O homem não precisa enfrentar tudo sozinho. Cuidar da saúde mental é tão importante quanto cuidar da saúde física. Quanto mais cedo houver atenção aos sinais, maiores são as chances de evitar problemas mais graves e construir uma vida mais equilibrada”, conclui.

Neste Dia do Homem, o alerta é claro: falar sobre emoções, buscar apoio e cuidar da mente também são atitudes de coragem. Afinal, saúde mental não é sinal de fraqueza, mas um dos pilares para uma vida saudável e plena.

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