A entrada em vigor da tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros acende um sinal de alerta para a economia da Bahia e de Feira de Santana. Embora produtos como carne bovina, café, suco de laranja, petróleo e medicamentos tenham ficado fora da nova taxação, segmentos estratégicos para a economia baiana devem sentir os efeitos da medida.
Em entrevista ao Portal MF News, o economista e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), Gesner Brehmer, explicou que o impacto será concentrado em setores como máquinas agrícolas, calçados, confecções, papel, açúcar e bens manufaturados, atividades que possuem forte presença na economia baiana e ligação direta com o mercado de Feira de Santana.
Segundo o professor, um dos principais reflexos será o aumento dos custos de produção. No caso das máquinas agrícolas, por exemplo, a alta dos preços pode atingir toda a cadeia do agronegócio, influenciando o custo de produção de alimentos. Já no segmento de calçados, um dos destaques do comércio feirense, a tendência é de reajuste nos preços ao consumidor.
“O aumento dos custos acaba sendo repassado ao preço final dos produtos. Isso pressiona a inflação e reduz o poder de compra da população”, destacou Gesner Brehmer.
O economista também alerta que um cenário de inflação mais elevada pode dificultar a continuidade da redução da taxa básica de juros pelo Banco Central, afetando investimentos, crédito e o ritmo de crescimento da economia.
Para a Bahia, os impactos vão além da indústria. O estado possui uma economia diversificada e depende da competitividade de diversos setores exportadores. Já Feira de Santana, considerada um dos maiores polos comerciais e de distribuição do Norte e Nordeste, pode sentir os efeitos principalmente na circulação de mercadorias, no comércio atacadista e varejista e nas atividades industriais instaladas no município.
Apesar das incertezas, Gesner Brehmer avalia que o Brasil pode buscar alternativas para minimizar os prejuízos, ampliando as exportações para outros mercados, especialmente a China, atualmente o principal parceiro comercial do país. No entanto, ele ressalta que essa estratégia também reforça o debate sobre a crescente dependência do mercado chinês.
O especialista acredita ainda que o cenário poderá mudar caso haja uma retomada das negociações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, o que pode resultar na revisão ou suspensão das novas tarifas e reduzir os impactos sobre a economia brasileira.